terça-feira, 23 de dezembro de 2014

História, Cultura e educação escolar



           Falar de cultura e educação sem as reconhecê-las dentro de uma perspectiva histórica é impossível até mesmo porque é dentro dessa ciência humana que todas as outras se encontram. Sem a História só haveria a pré-história e nessa condição anterior a História não se fazia ciência dentro dos padrões e exegese epistemológica que se exige às ciências. Então a partir do momento em que o homem chega até a História, a linguagem passa a existir dentro de materiais imprescindíveis á divulgação e guarda dos conhecimentos, por isso a invenção, ou descoberta da escrita é até hoje a coisa mais importante fora e depois do ser. Assim é dentro desse panorama que se desenvolvem a cultura e a educação. Uso esse termo desenvolver, tomando como “verdade” que ambas existiam mesmo antes da História; entendendo-as como indissociáveis e como um conjunto de comportamentos coletivos e individuais que se aperfeiçoaram no decorrer dos tempos até os dias atuais, e que de alguma maneira terão outras formas no futuro.
          A cultura individual é tida atualmente como status intelectual para uma ascensão social. Nos moldes atuais de sociedade uma das formas de se chegar a alta-cultura é através da educação escolar. Veiga-Neto, em uma publicação da revista brasileira de educação diz que existe um atrelamento da pedagogia e da escola moderna à própria invenção do conceito de cultura.  Para ele isso pode ser um problema para as mudanças sociais e educacionais que possam ser necessárias.
          Mudar a cultura não é nada fácil, nem para os grandes pensadores, que tiveram uma influência considerável, mas que se conseguiram mudar algo na cultura tenha sido quiçá sem pretensão. Ou para os fundamentalistas e ditadores, ou mesmos os religiosos com a utilização da força militar ou alienações fanáticas. Parece ser mais fácil influenciar na cultura pelo viés educacional, visto que educação  é vista de modo  genérico pela maioria dos seres politizados como fundamental para o seu desenvolvimento, e na sociedade podemos encontrá-la  como dever do Estado e sentimento de obrigatoriedade por parte de cada cidadão em cursar os vários estágios do ensino.
          Historicamente, podemos ver que desde os sofistas e os filósofos há uma constante busca pelo conhecimento (auto-educação), como se o ser necessitasse disso para encontrar razão de viver. Os construtivista-mecanicista da atualidade se contrapõem ao modo de busca do conhecimento desses antigos, pois eles buscavam um espécie de verdade e estes buscam uma espécie de produtividade. Kant a respeito disso diz o seguinte:

“A civilidade... Ela representava a substituição da espontaneidade pela contenção dos afetos. Por outro lado, a Cultura era entendida como um conjunto de produções e representações que eram da ordem dos saberes, da sensibilidadee do espírito. Assim, assumindo tranqüilamente um entendimento generalizante, essencialista e abstrato sobre o indivíduo e a sociedade, a educação escolarizada foi logo colocada a serviço de uma Modernidade que deveria se tornar a mais homogênea e a menos ambivalente possível.”
          A escola atual responsável pela educação e pela instrução científica tem um papel muito importante na história da humanidade, contudo, cabe dizer que ela tem sido usada como manobra de massa para moldas os cidadãos das grandes massas ao desejo das elites sociais numa democracia deturpada e decadente, cheia de incoerções e corrupções dos títulos públicos, que representam o valor do trabalho adquirido pelo conhecimento e as práticas na construção social subjetiva e objetiva. Desse modo, segundo Kant, a cultura está no mundo como um ideal metafísico situado em outro ambiente e não no mundo real, como se estivesse sido transposta. E o que dizer então de tudo o que a humanidade construiu? Os automóveis, por exemplo, já não é uma cultura ir trabalhar de carro ou de ônibus; viajar para Inglaterra de avião.   

          Deste ponto por diante agora nos cabe uma nova discussão que não está somente nas práticas como forma de cultura e resultado da educação, mas nos elementos físicos como resultado das práticas, pois eles também de alguma forma ditam regras de comportamento para o ser humano. Como conceituar cultura e educação dentro da História sem que ambas não se consubstaciem dentro dessa amálgama que constitui o homem e o mundo a sua volta.

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