segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Computador mais antigo do mundo - 2000 anos


O chamado mecanismo de Anticitera é um dos artefatos mais misteriosos da história da tecnologia. E não é para menos.
Criado há 2 mil anos na Grécia Antiga, este objeto de bronze corroído não é maior do que um laptop moderno e parece uma máquina do futuro.

terça-feira, 26 de abril de 2016



Poema da aluna Anne Victória Ferraz da escola estadual Alfredo Gaspar de Mendonça, periferia de Maceió-AL.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Crônica

Meu velho maquinista


           Há tempos não sentia um sentimento tão forte e uma lembrança que parecia trazê-lo à presença. Foi cruzando os trilhos do trem, ao soar da buzina desse gigante que ele conduzia, que me explodi de emoção e lágrimas. Fundiu-se o próprio som da sua voz em minha lembrança com aquela buzina. Continuei a caminhar ao seu lado vendo vagão por vagão passar como se cada um fosse um dos anos que nos distanciam do nosso último encontro. E, aos poucos, fui vendo-o desaparecer por entre as curvas dos trilhos da vida e só me deixando a vontade de chamar: Pai! 


                                                                                                                                      Lucas de Cristo
                                                   www.google.com

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Atividade: cultura de Maceió, pedagogia UFAL

                    Decidi falar de Lêdo Ivo como manifestação cultural de Maceió, naturalmente por ele ser filho dessa terra e pela sua contribuição na cultura de Maceió. Sendo Lêdo Ivo uma pessoa, possivelmente não se enquadraria como manifestação cultural no que se compreende tradicionalmente como manifestação cultural, ou seja, folclore, festas, ritos religiosos, etc. No entanto, considero-o como manifestação cultural pela sua produção literária e ampliação da cultura brasileira, visto que a literatura é uma forma de expressão artística que para muitos se desprende de quaisquer amarras mercadológica, doutrinárias ou diretrizante. É o caso de Lêdo Ivo, onde podemos vislumbrar essas características em toda sua obra, como em: “O canário azul”. Nessa obra ele esmiuça a sociedade brasileira e suas relações utilizando-se de da fábula. Maestrosamente também desmascara a sociedade maceioense com a obra ninho de cobras.
                
                   Diferentemente dos compêndios de literatura não farei citações ou análises de suas obras. Falarei um pouco sobre sua vida e obra.





                   Lêdo Ivo Nasceu em Alagoas, no município de Maceió em 18 de fevereiro de 1924. É filho de Floriano Ivo e de Eurídice Plácido de Araújo Ivo. Casado com Maria Lêda Sarmento de Medeiros Ivo, com sua companheira tem três filhos: Patrícia, Maria da Graça e Gonçalo. Era formado em jornalismo e direito, e também era tradutor.  Foi um dos colaboradores da poesia do pós-modernismo fazendo parte de um grupo seleto de artistas como João Cabral de Melo Neto, Domingos Carvalho da Silva, entre outros da conhecida Geração de 1945.

                    Estudou no Colégio Americano Batista, no Grupo Escolar D. Pedro II e no Colégio Diocesano de Alagoas. Transferindo-se para o Recife em 1940, estudou no Instituto Carneiro Leão e passou a colaborar na imprensa local e a conviver com um grupo literário de que fazia parte Willy Lewin, o qual haveria de exercer grande influência em sua formação cultural. Dedicou-se à vida literária, participando do I Congresso de Poesia do Recife em 1941. De volta a Maceió, concluiu o curso complementar no Liceu Alagoano. Em 1943, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde se matriculou na Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil e passou a colaborar em suplementos literários e a trabalhar na imprensa carioca, como jornalista profissional. Foi redator da Tribuna da Imprensa e da revista Manchete, colaborador de O Estado de São Paulo e editorialista do Correio da Manhã.
                      No início de 1953, foi morar em Paris. Visitou vários países da Europa e, em agosto de 1954, retornou ao Brasil, voltando às atividades literárias e jornalísticas. Em 1963, a convite do governo norte-americano, realizou uma viagem de dois meses (novembro e dezembro) pelos Estados Unidos, pronunciando palestras em universidades e conhecendo escritores e artistas.
Nessa viagem escreveu esse poema que podemos ver a seguir:
O PASSRINHO MORTO

A santidade do mundo me aparece
sob a forma assustada de um esquilo
que me contempla entre arbustos.
Devo esta aparição ao deus que me criou
e me faz notar o miúdo e o insólito.
A poeira na asa da borboleta
E a chuva radiosa.
Abaixo-me e agarro o passarinho morto
que nem a neve soube guardar.
Por que o mataste, ó deus do frio
que, na noite de Nova Iorque, une a homem e mulher.
Como uma formiga, espero que o comboio passe
para atravessar
os trilhos sangrados pela ferrugem.
E, cristaleiro, amo o que o tempo fez
sem que fosse preciso ferir ou insultar:
vaga na prancha podre de um navio
ou o fulgir de um diamante.
A essa forma de perfeição, luminosa e fria,
é que aspiro às vezes quando, no banco de um parque,
vejo o passarinho morto
ou, homem, sou o esquilo que os esquilos
vêm olhar com surpresa.
Aos céus que guardam o granizo e a saraiva,
peço isenção de selo funerário.
Mas como esse deus mouco me ouviria?
Com seus olhos vazados, de que modo
me enxergaria?  E as folhas caem, desbotadas, e o outono
é vento e podridão.
                    Um dos seus principais poemas é:
Queimada
Queime tudo o que puder:
as cartas de amor
as contas telefônicas
o rol de roupas sujas
as escrituras e certidões
as inconfidências dos confrades ressentidos
a confissão interrompida
o poema erótico que ratifica a impotência
e anuncia a arteriosclerose

os recortes antigos e as fotografias amareladas.
Não deixe aos herdeiros esfaimados
nenhuma herança de papel.
Seja como os lobos: more num covil
e só mostre à canalha das ruas os seus dentes afiados.
Viva e morra fechado como um caracol.
Diga sempre não à escória eletrônica.
Destrua os poemas inacabados,os rascunhos,
as variantes e os fragmentos
que provocam o orgasmo tardio dos filólogos e escoliastas.
Não deixe aos catadores do lixo literário nenhuma migalha.
Não confie a ninguém o seu segredo.
A verdade não pode ser dita.




                    No livro Acontecimento do Soneto. Ode à noite escreve o seguinte soneto:
SONETO DAS ALTURAS

As minhas esquivanças vão no vento
alto do céu, para um lugar sombrio
onde me punge o descontentamento
que no mar não deságua, nem no rio.

Às mudanças me fio, sempre atento
ao que muda e perece, e ardente e fio,
e novamente ardente é no momento
em que luz o desejo, poldro em cio.

Meu corpo anda quer, mas a minh´alma
em fogos de amplidão deseja tudo
o que ultrapassa o humano entendimento.

E embora nada atinja, não se acalma,
e sendo alma, transpõe meu corpo mudo,
e aos céus pede o inefável e não o vento.

                    Lêdo Ivo também foi membro da academia brasileira de Letras eleito em 13 de novembro de 1986 para a cadeira 10, sucedendo a Orígenes Lessa.
                   
                    Em um de seus discursos Lêdo vomita suas palavras em um de seus desafetos, Eduardo Portela.  Acompanhemos parte desse discurso:


“Nesta Academia, como em todas as corporações que se regem pelas normas da civilização, da boa educação, da polidez e da conviviabilidade, o silêncio do auditório, durante a fala de um dos seus integrantes, é um princípio pétreo.
Esse princípio, Sr. Presidente, foi vulnerado quinta-feira última, quando eu estava falando sobre Gonçalves de Magalhães.
Durante 25 minutos, este auditório ouviu, ininterruptamente, ganidos, gemidos, vagidos, coaxos, grasnidos, uivos, ladridos, miados, pipilos e arrulhos intoleráveis, senão obscenos, de um macilento boquirroto ostensivamente deliberado a tisnar e perturbar a minha exposição.”




No livro Minha Pátria Úmida escreveu o seguinte poema:
O LADRÃO

QUANDO deixei Maceió, fechei a porta do mar
E enxotei os navios que insistiam em seguir-me.
Tive de aninhar o vento nos corredores
Das casas brancas que guardam lacraias.
Mas o mar me acompanhou até nos sonhos,
Igual ao sol azul que sustenta o mormaço.
O vento veio voando e era um bando de pássaros.
A chuva da minha infância continua caindo
Com o seu séquito de tanajuras e caranguejos.
Até as dunas caminham ao meu encontro
E me rodeiam, exigindo que eu devolva
A chave de areia e o oceano roubado.




      


ELEGIA
(En memoria de Lêdo Ivo)

                       



 Poema de Márcio Catunda

Temo las noticias trágicas de las madrugadas.
El viejo bardo fue golpeado por la muerte.
Padecí angustiante insomnio.
Necesito subir a un mirador
donde aparezca el horizonte abierto.
Pregunto por la conciencia de los grandes árboles,
criaturas preponderantes.
Es necesario aprovechar
cada minuto que nos ofrece el Sol.
Un muerto es victima
de los que se libran del cadáver.
Un poema es una aventura osada
que quien partió de este mundo ya no disfrutará.
El cedro inclinado sobre el río
se levanta hacia lo alto y sobrevive al hombre.
Ha muerto el cantor triunfal
de la efemérides insólitas.
Viajó con el vicio de la poesía en el alma
y con la ilusión de su último vuelo transatlántico.
El día entero fui perseguido por el pesar.
Medito junto al agua
después del la noche inesperada.
El escaparate del día esconde el misterio
y el tiempo derramará sobre mí
su efecto anestésico.
Es el vértigo de lo irremediable
en contra del perfume cristalino del día.
La muerte evapora al que existió
en el azul del firmamento.
En el eterno lamento del tiempo
yace el esplendor de la nada.
La claridad no me hace olvidar
la ceniza de su partida.
Su poema premonitorio resuena en mí,
residuo de un sueño,
Misterio de un desierto
donde la busca no es más que la procura.
 23/12/2012


                   Lêdo Ivo morreu aos 88 anos em 23 de dezembro de 2012, em Servilla na Espanha.
“Deus, deuses, com seus lábios de poeira; os mortos todos riem a morte interira.
Obras:
As imaginações, poesia (1944); Ode e elegia, poesia (1945); As alianças, romance (1947); Acontecimento do soneto, poesia (1948); O caminho sem aventura, romance (1948); Ode ao crepúsculo, poesia (1948); Cântico, poesia (1949); Linguagem, poesia (1951); Lição de Mário de Andrade, ensaio (1951); Ode equatorial, poesia (1951); Um brasileiro em Paris e O rei da Europa, poesia (1955); O preto no branco, ensaio (1955): A cidade e os dias, crônicas (1957); Magias (contendo: Os amantes sonoros), poesia (1960); O girassol às avessas, ensaio (1960); Use a passagem subterrânea, contos (1961); Paraísos de papel, ensaio (1961); Uma lira dos vinte anos, reunião de obras poéticas anteriores (1962); Ladrão de flor, ensaio (1963); O universo poético de Raul Pompéia, ensaio (1963); O sobrinho do general, romance (1964); Estação central, poesia (1964); Poesia observada, ensaios (1967); Finisterra, poesia (1972); Modernismo e modernidade, ensaio (1972); Ninho de cobras, romance (1973); O sinal semafórico, reunião de sua obra poética, desde As imaginações até Estação central (1974); Teoria e celebração, ensaio (1976); Alagoas, ensaio (1976); Confissões de um poeta, autobiografia (1979); O soldado raso, poesia (1980); A ética da aventura, ensaio (1982) A noite misteriosa, poesia (1982); A morte do Brasil, romance (1984); Calabar, poesia (1985); Mar oceano, poesia (1987); Crepúsculo civil, poesia (1990); O aluno relapso, autobiografia (1991); A república das desilusões, ensaios (1995); Curral de peixe, poesia (1995).

Links de vídeos sobre Lêdo Ivo:

https://www.youtube.com/watch?v=dV_SqdU7sPY