terça-feira, 13 de agosto de 2013

Adicto ou recuperando?




 Atualmente, no âmbito da dependência química, aboliram a forma de apresentação do indivíduo como sendo ex-alcoólico ou ex-alcoólatra, ex-drogado, ex-viciado, etc., Por exemplo, o indivíduo ao se apresentar nos grupos de recuperação se apresenta da seguinte forma: “meu nome é Carlos, sou adicto em recuperação”. Isto significa que ele está afirmando que é um adicto, ou seja, escravo. Dessa forma ele assume a condição de escravidão colocando-se sempre nessa situação.
        Onde queremos chegar com essa explanação? Será que essa auto-afirmação prejudica o indivíduo de alguma forma? Pois se cada vez que ele afirma que é escravo está incutindo em sua mente que vive uma condição de submissão e dependência total do que lhe faz dominado. Isto parece ser contraditório ao objetivo que lhe faz querer entrar em recuperação, ou seja, libertar-se da dependência.
         Para a maioria das pessoas que estão engajadas no que diz respeito à recuperação de álcool e drogas, não se pode tirar tal convenção do âmbito da recuperação, pois é a partir daí que o indivíduo reconhece que é impotente perante a sua substância de preferência. Segundo os criadores dos doze passos de alcoólicos anônimos, Bill e Bob, é na admissão que damos o primeiro passo à recuperação. Nessa perspectiva, muitas pessoas que viveram ou vivem o trágico das drogas estão “de pé”, e mesmo muitos dos que escorregam, retomaram um programa de recuperação, e outros já se conscientizam de que vivem um problema com drogas. Isso mostra que o programa desenvolvido pelos americanos, Bill e Bob, e que foi adaptado por grupos de auto-ajuda de todo mundo, tais como: NA (narcóticos anônimos), PHNP (por hoje não pecar na sexualidade), a “bíblia dos doze passos” e etc., é de inteira importância para a recuperação da dependência química.
        É indubitável que o que já é bom pode ser melhorado. Basta analisarmos as tecnologias, a Farmácia, a informática e várias outras ciências. E o intuito deste texto é melhorar a recuperação dos dependentes químicos, através da discussão de um tema aparentemente simples, porém, interessante, pois diz respeito à saúde e a um problema que é um dos piores na sociedade humana.      
       Há alguns anos, algumas instituições já estão adotando no tratamento da dependência química o desenvolvimento da espiritualidade como essencial à recuperação. E é até interessante porque mesmo Bill e Bob falam de um despertar espiritual, e eles são os criadores do programa de recuperação que é mais eficaz até hoje, até mesmo do que o da Psiquiatria (com a abordagem medicamentosa) e o da Psicologia, com uma abordagem de conhecimento de perfil psicológico. Então podemos atribuir ao processo de recuperação o fator espiritual como parte essencial da recuperação.
        Se tomarmos como exemplo de recuperação fatos bíblicos, vemos que o que corre é uma mudança de estado. Quem era aleijado passa a andar, quem era cego passa a ver, quem estava morto passa a viver.  Então será que quem está em recuperação permanece escravo?

Será que se tirarmos esse fardo das costas das pessoas que usaram drogas estaremos avançando e melhorando a vida do indivíduo?  Eis uma questão a ser bastante debatida.

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